45 clínicas podem suspender hemodiálise na Bahia

Hemodiálise é um procedimento através do qual uma máquina limpa e filtra o sangue, ou seja, faz parte do trabalho que o rim doente não pode fazer. Atualmente, cerca de 45 clínicas espalhadas pelo estado, de norte a sul, que prestam este serviço, correm o risco de parar de atender os pacientes por falta de repasses dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Quem denuncia esta situação por demais lamentável é o presidente da Associação de Defesa dos Pacientes Crônicos Renal do Estado da Bahia, José Vasconcelos de Freitas.

“Existem mais de 200 pacientes renais aguardando, na fila, vagas em clinicas e hospitais. A maioria vem do interior, mas não tem regulação e não tem máquinas. Agora são diversas clínicas sem poder prestar este serviço por falta do repasse de verbas. Todas elas ameaçam parar porque não têm condição de atender com todos os procedimentos garantidos para fazer o tratamento do hemodiálise”, lamenta José Vasconcelos.

Ele lembra que existem 60 máquinas lacradas no desativado Hospital Espanhol, situado na Barra. “Se essas máquinas, feita a manutenção, fossem emprestadas, as clínicas teriam condições de absolver essa fila de espera de paciente renal crônico”, continua o também conselheiro de saúde do estado, que se queixa de não ter a Associação que preside – localizada no edifício Barão do Rio Branco, sala 302, na Avenida Sete, e funcionando precariamente com oito voluntários -, “estrutura nenhuma, nem um pacote de algodão oferecido”.

Conforme José Vasconcelos, a clínica INED ( Instituto de Nefrologia e Diálise), localizada à Rua D. João XXII, 15, em Brotas, fez um acerto envolvendo o Ministério Público e continuará a atender seus pacientes pelo período de 90 dias. Já a clínica Nossa Senhora das Graças – que funciona dentro do Hospital Salvador, no Campo Santo ( Federação) -, com 192 pacientes renais, “não tem condições de funcionamento e se fechar o governo não vai ter suporte para atender esses pacientes”, pontua.

Para “amenizar” o problema, José Vasconcelos sugere que “no momento seja criado imediatamente um quarto turno nos hospitais públicos, com contratação de funcionários para este turno e transportes para os pacientes que estão na linha de morte, até resolver esta situação. Mais de 200 pacientes hoje estão nesta situação, isto sem falar na falta de órgãos”, conclui.

Paciente renal há 15 anos, o compositor Chico Evangelista diz enfrentar “uma terrível burocracia” para se manter na fila do transplante do Hospital Ana Nery. “É tudo muito difícil, mas não podemos perder a esperança de ganhar um rim e continuar com vida”, enfatizou ele, que faz hemodiálise três vezes por semana, procedimento que libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos. Também controla a pressão arterial e ajuda o corpo a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, uréia e creatinina. As sessões de hemodiálise são realizadas geralmente em clínicas especializadas ou hospitais.

Fonte: Tribuna da Bahia

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